Era minha intenção escrever este texto em castelhano. Mas depois pensei no título e decidi que seria "Saudade". E não podia escrever noutra língua que não Português. Tal como não poderia ter escolhido outra cor, que não o espanhol rojo. Saudade... Essa palavra tão portuguesa, que é consta ser a sétima mais díficil de traduzir no mundo . A espressão em castelhano que me enche igualmente as medidas é echar de menos... Faz-me pensar que sem aquela pessoa somos um pouco menos.
Ao conhecer a M.R., vi um pouco da minha avó e um pouco do que eu gostaria de ser no futuro. Mostrou-me a casa. Linda. Falou-me da vida. E eu ouvi. Falou-me dos 4 filhos e 4 netos. E do que vem a caminho. Falou-me do meio século que já passou em Portugal. E então levou-me ao seu esconderijo secreto. A sua sala de fotografias. E vi pedaços da sua vida expostos em molduras. A cobrir prateleiras e prateleiras.
Pegou numa. Especial. E não teve de me dizer que era especial. Vi de imediato nos seus olhos. E falou-me dele. Do L.. E dos anos passados em conjunto. E do seu amor. E do quão foram felizes. Li a felicidade nos seus olhos, junto com a saudade.
Aquele misto de sentimentos que só surje nos olhos de quem viveu um grande amor. E falou, falou... E eu ouvi... Ouvi... Aprendi. Tudo o que me disse, tudo o que me quis dizer.
Neste canto madrileno em plena Lisboa, passei uma tarde especial. Tirei fotos sentidas e só espero que pelo menos uma encontre lugar naquelas prateleiras.
Foi um prazer imenso.
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